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Conselheiros debatem programa de inclusão de alunos da escola pública na Unicamp

outubro 25, 2012

ProFIS destina 120 vagas – uma por escola – a alunos do ensino público de Campinas para um curso sequencial antes do ingresso; para o conselheiro João Grandino Rodas, o projeto não é saída para o problema da inclusão

Em sessão plenária ocorrida essa quarta-feira (24/10), com a presença de 17 membros e conduzida pelo vice-presidente João Palma, os conselheiros elogiaram a iniciativa da Unicamp de criar o curso “Programa de Formação Interdisciplinar Superior – ProFIS”, como uma forma inovadora de fazer a inclusão social, ainda que de forma experimental.

O curso, aprovado em 2010 e em vigor desde 2011, é um programa com dois anos de duração, destinado a 120 alunos de escolas públicas da cidade de Campinas. A seleção é feita através da classificação no Enem e, após a formação interdisciplinar, os alunos optam por um curso da própria Unicamp e seu ingresso no curso de escolha (sem vestibular) depende de seu desempenho ao longo dos dois anos no ProFIS.

“Fiquei absolutamente fascinada com essa iniciativa”, disse a conselheira Rose Neubauer. Ela classificou como “inteligente” a forma como esse projeto estimula a inclusão, utilizando a participação no Enem e as vagas remanescentes dos cursos de graduação.

O conselheiro Milton Linhares elogiou também o projeto, que, a seu ver, é “muito bem elaborado, estruturado e inovador”. O conselheiro João Grandino Rodas também louvou o curso, mas ressaltou que é um projeto-piloto, que tem proporções mínimas, já que atinge apenas os 120 alunos das escolas públicas da cidade. Para ele, não é uma saída para o problema de inclusão, pois a educação básica continua com baixa qualidade. Ele questiona se esse projeto não seria uma “solução heroica”. “Situações como essas são extremamente mínimas e pegam, em última análise, os melhores alunos da escola pública. Um ou dois. E o resto? E os piores?”, questiona Rodas.

Reconhecimento do curso

O projeto foi tema de discussão por causa do processo no 261/2012, que pede o reconhecimento do curso ao Conselho. O relator Ângelo Cortelazzo explicou, porém, que não cabe ao CEE reconhecer esse tipo de curso: “como se trata de um curso sequencial de complementação de estudos, não cabe reconhecimento por parte do Conselho. Nossa legislação diz que, nesse tipo de caso, as universidades ou as instituições superiores têm autonomia para desenvolver sem a necessidade de reconhecimento”.

Alguns conselheiros, como Milton Linhares e Malu Montoro, questionaram o fato da Unicamp ter encaminhado esse pedido ao órgão. Para o relator, a ação foi mais por desconhecimento da legislação do que por algum excesso de precaução da instituição em legitimar o curso. “Na verdade, os cursos sequenciais, quando eles foram introduzidos, geraram uma polêmica desmedida, pela sua complexidade, pela sua natureza, e eles em nenhum momento foram absorvidos pelas instituições e universidades públicas. Então há um preconceito – esse deve ser o primeiro [curso], pelo menos que eu tenho notícia, em uma universidade pública”, explicou Cortelazzo.

Ainda assim, o relator informou que o processo foi aprovado com a sua publicação na íntegra, “o que vai ajudar as outras instituições a ver e cumprir a legislação”, explicou o relator. Dado o interesse e entusiasmo dos conselheiros com o projeto, a conselheira Maria Helena Guimarães sugeriu que o coordenador do curso fosse convidado a explicar o ProFIS ao órgão – ao que Cortelazzo mencionou ser fácil conseguir, já que o conselheiro Edgar De Decca é vice-reitor da Unicamp.

Ordem do dia

Na mesma sessão, o Conselho aprovou, sem grandes discussões, mais três processos de reconhecimento de cursos superiores: o de Gerontologia das Faculdades Adamantinenses Integradas (proc. no 214/2010), o de Pedagogia do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (proc. no 053/2012) e o de Bacharelado em Nutrição, oferecido pela Faculdade de Ciências Aplicadas, do campus de Limeira, da Unicamp (proc. no 108/2012).

Já o processo no 459/2008, sobre a renovação do reconhecimento do Curso de Engenharia de Alimentos da Universidade de Taubaté, foi aprovado com sentença não favorável à renovação. A conclusão do documento determina um ano para que a interessada corrija os eventuais problemas pedagógicos do curso, para enfim passar por uma nova avaliação.

Sesi e formação de docentes

Com a palavra aberta aos conselheiros, Walter Vicioni comunicou que o Sesi de São Paulo ingressou junto ao Ministério da Educação e Cultura um projeto de autorização e credenciamento de uma Faculdade de Educação para formação de professores, que ele classificou como “modelo muito inovador”.
O projeto prevê quatro áreas de formação: ciências da natureza, matemática, linguagem e ciências humanas. “Esperamos que o Ministério nos autorize a funcionar a partir do ano que vem”, disse o conselheiro.

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