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Diretor da Prefeitura de São Paulo apresenta proposta de aulas interdisciplinares para ensino municipal

agosto 6, 2013

Na última reunião do CME-SP (01/08), o Diretor de Orientação Técnica, Fernando José de Almeida, apresentou proposta de reforma na organização curricular da cidade

“O Prefeito Fernando Haddad quer que a marca do governo dele seja a profunda reforma na organização curricular de São Paulo. E esta reforma não quer dizer jogar tudo fora e começar do zero, mas compreender e melhorar as conquistas da educação de tantos e tantos anos”, afirmou o Diretor de Orientação Técnica, Fernando José de Almeida, na última reunião do Conselho Municipal de Educação de São Paulo (CME-SP), na quinta-feira (01/08).

Além das mudanças divulgadas pela mídia na última semana, referentes à divisão do ensino fundamental em três ciclos (terminando no terceiro, sexto e nono ano com possibilidade de reprovação e de retenção em disciplinas específicas no sétimo e oitavo ano) e à aplicação de ao menos duas avaliações por semestre, o diretor expôs a ideia do governo municipal de oferecer aulas interdisciplinares para os alunos do quarto ao sexto ano.

De acordo com Fernando, o ciclo chamado de interdisciplinar abrangerá as três séries intermediárias do ensino fundamental (do quarto ao sexto ano), que terão disciplinas ministradas por mais de um docente de diferentes especialidades. O diretor explicou que já no quarto ano deverão ser realizadas atividades coligadas com a presença de professores do quinto e do sexto ano. No quinto ano, os alunos teriam uma aula interdisciplinar a mais e, no último ano do ciclo, continuariam com aulas ministradas pelos professores especialistas conjuntamente com os professores de matemática e português do início do ciclo. Segundo ele, o intuito da proposta é “dar um acabamento ao processo de alfabetização do estudante”.

Além do ciclo interdisciplinar, o diretor afirmou que a organização do ensino paulistano poderá ser composta pelo ciclo da alfabetização (do primeiro ao terceiro ano) e pelo ciclo chamado de autoral (do sétimo ao nono ano). “O ciclo autoral vai ter uma maior ênfase em projetos que os alunos vão realizar, mas sem deixar de abordar as disciplinas específicas. E isso vai exigir ações para a formação de professores, materiais apropriados e um ambiente adequado de ensino”, disse Fernando.

Quanto à formação de professores, o Prefeito Fernando Haddad encaminhou à Câmara de Vereadores, também na quinta-feira (01/08), um projeto de criação de polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Com foco na formação de docentes, a proposta é que os cursos à distância da rede pública da UAB sejam organizados nos Centros de Educação Unificada (CEU) da cidade.

Para auxiliar o trabalho na rede municipal de ensino, o Diretor de Orientação Técnica afirmou que a Prefeitura vai disponibilizar um banco de questões aos professores. “Por semestre, cada professor vai receber uma quantidade de questões que pode ou não utilizar. A ideia é que os docentes entrem no site e tenham um instrumento de apoio, além de poderem enviar também as questões que formularem para seus alunos”, explicou Fernando.

 

Avaliação

As mudanças na avaliação do ensino da cidade e a maior possibilidade de reprovação dos alunos também provocaram manifestações dos integrantes do CME-SP. Para a conselheira Zilma Ramos de Oliveira, o sistema possui grande dificuldade de compreender as produções dos alunos. “Temos que usar provas objetivas, mas também abertas. O problema não é exatamente a avaliação, mas sim o que fazemos no dia seguinte. Estamos começando a chegar a um ponto precioso que é a diminuição da defasagem entre série e idade e que depende da menor repetência possível. Um dos problemas é o que se faz com o aluno repetente”, comentou Zilma.

De acordo com o conselheiro Marcos Mendonça, uma das maiores dificuldades da escola é que os professores tenham tempo e espaço para refletir sobre os resultados das avaliações realizadas. “As próximas provas externas vão chegar antes dos resultados das anteriores e essa foi a lógica aplicada até agora. Para mudarmos qualquer coisa, é necessário que haja um imenso processo de readaptação e que envolva a todos”, afirmou Marcos. E complementou: “nós estamos vivendo um momento de natureza política e educacional que não favorece o diálogo com a rede. Nós somos poucos e eles são 80 mil. Dificilmente teremos qualquer possibilidade de avanço se não houver um processo de reconquista desse diálogo”.

Um dos idealizadores e defensor da Prova São Paulo, o conselheiro Ocimar Alavarse explicou que o sistema de notas é um fenômeno de classificação que pode ser utilizada para hierarquizar e/ou agrupar os alunos. “Esta necessidade de classificar é para identificar aquilo que os estudantes têm em comum e, desta forma, fazer ações mais pertinentes para o ensino. Por tradição, a manipulação aritmética das notas favorece um tipo de prática que não necessariamente é utilizada para identificar as necessidades das crianças”, alertou Ocimar.

Para a conselheira Hilda Martins Piaulino, uma das maiores preocupações é com o possível aumento das taxas de reprovação dos alunos. “A nota dá uma visibilidade maior para os pais, mas não sei se isso vai ser bom no dia-a-dia do aluno. A grande dificuldade é dar aos professores as condições para que eles possam fazer o acompanhamento de perto dessas crianças, saber o que mais está faltando e, então, dar à escola todo o aparato que vai além do conteúdo que se vai ensinar ou aprender”, argumentou Hilda. E questionou: “o que nós esperamos dizer para uma criança de oito anos que ao final do ciclo ficar retida? Que ela não aprende ou que demora mais para aprender?”.

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One Comment leave one →
  1. agosto 7, 2013 1:13 pm

    Certo, mas quando a discussão chega na rede? Ou, nunca vai chegar?

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