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CME-SP discute papel da educação em manifestações populares

outubro 22, 2013

“La fora a população está em guerra e a educação está no centro das discussões”, provocou o conselheiro Rodolfo Osvaldo Konder, na última reunião do Conselho Municipal de Educação de São Paulo (CME-SP) nesta quinta-feira (17/10). “Em minha vida o que sempre me movimentou foi o medo. Seja por coragem ou por medo, o CME-SP deve olhar estes acontecimentos mais de perto”, defendeu o conselheiro que é jornalista e que, durante a ditadura militar, foi torturado e se exilou do país.

Após os protestos dos últimos meses – que tiveram como tema central a reivindicação por menores preços nas tarifas do transporte público e que ficaram conhecidos como a Jornadas de Junho – uma série de reivindicações, inclusive de profissionais da educação, ganharam espaço nas mídias tradicionais brasileiras.

Após Konder destacar as cenas de conflito e de destruição que o impressionaram, o conselheiro Marcos Mendonça fez dois apontamentos em relação à violência observada nas últimas manifestações. “Nós que trabalhamos nas periferias da cidade, enfrentamos situações de violência e, até mesmo com toque de recolher, há bastante tempo. Isso não é novidade, mas chama a atenção porque chegou ao centro”, advertiu.

Para Marcos, a busca por novas práticas educacionais em resposta a insuficiências nos currículos escolares, por exemplo, pode ser uma das formas possíveis para se combater a violência. “Nós precisamos nos debruçar, inclusive, sobre o que a escola está fazendo em seu dia a dia e sobre o que ela deveria fazer”, disse. Para ele, devem-se trabalhar cada vez mais profundamente temas relacionados aos direitos humanos. “Somente o conhecimento das linguagens, da matemática e das ciências não dá conta do ensino, porque não as potencializa para que possam mudar a vida das pessoas”, argumentou o conselheiro.

Rede de proteção

Apesar de concordar com a necessidade de a escola trabalhar temas que tratem dos direitos humanos e dos direitos das mulheres, por exemplo, a supervisora escolar e conselheira Hilda Martins Piaulino alertou que estas questões já estão presentes nas práticas educacionais da rede municipal de ensino. “Eu temo que queiram transformar a escola na redentora de todas as questões. Para mim, um dos motivos que causam a violência é a desigualdade social”, exemplificou a conselheira ao afirmar que não é possível resolver todos os problemas por meio da educação e que as crianças recebem outros tipos de influência – como a da mídia – em seu cotidiano.

Hilda destacou, também, a necessidade de se garantir uma rede de proteção social ampla e de se fazer uma reforma que diminua os índices de desigualdade social no país. “Várias questões podem influenciar estas manifestações, mas desde pequenininhas as crianças estão lidando na escola com valores e com o respeito com o outro”, argumentou. E concluiu: “nós precisamos pensar a escola dentro de um todo em que se não houver uma mudança do contexto nós vamos ficar enxugando gelo”.

 Na próxima quinta-feira (24/10), a sessão aberta do CME-SP começará, extraordinariamente, às 14 h. As reuniões são realizada semanalmente às quintas-feiras na Rua Taboão, 10, no Bairro Sumaré, em São Paulo – SP.

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