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Atratividade da profissão docente deverá ser prioridade da Câmara de Educação Básica do CEE-SP

novembro 14, 2013

Na reunião do Conselho Estadual de Educação de São Paulo (CEE-SP) do dia 06/11, os conselheiros voltaram a debater o tema da valorização docente. Jair Ribeiro informou que a Câmara de Educação Básica decidiu colocar como uma das prioridades de atuação nos próximos meses o debate sobre a atratividade da carreira docente no Brasil.

Segundo o conselheiro, pretende-se propor, ao final desse trabalho, um plano de sugestões de longo prazo para a Secretaria Estadual de Educação (SEE). A meta é transformar a profissão em uma das mais desejadas em vinte anos, como parte do programa estadual Educação: Compromisso de São Paulo (Leia aqui especial do Observatório da Educação, produzido em 2012, sobre o programa).

Uma reunião preliminar com algumas organizações atuantes no tema deve ser realizada e um consultor ou instituição vai ser escolhido para coordenar o trabalho. Jair ressaltou a importância de “pensar fora da caixa” e que é papel do Conselho provocar essa discussão.

Os conselheiros relembraram uma pesquisa divulgada em outubro, em que o Brasil ficou em penúltimo lugar no ranking de valorização docente. Rose Neubauer chamou atenção para o fato de outros países da América Latina não estarem presentes no estudo. Ela apontou que descontextualizar as realidades e “comparar o Brasil, que até 1930 não tinha Ministério da Educação, com países que historicamente vem trabalhando nisso” pode interferir nos resultados. Rose enfatizou ainda que é importante analisar os dados comparativamente com países de histórias parecidas. “Temos que ser considerados com nossos iguais. Somos produto do nosso passado”.

Para o conselheiro Mauro de Salles Aguiar, países com tradição ou não de valorizar a educação e seus docentes estão atualmente competindo com o Brasil. “E a deficiência na nossa educação representa um enorme peso para o presente e para o futuro do país. Temos que superar o passado, se não vamos ficar muito atrás”, afirmou.

A conselheira Sylvia Gouvêa opinou que é necessário aprofundar os estudos que abordam os motivos para a profissão docente não ser valorizada. Segundo Sylvia, ainda nos baseamos em “chavões e tabus”. Para a conselheira, a temática salarial seria uma deles. “Existem mais coisas. Falamos tanto aqui em cultura. Precisamos descobrir o que existe nessa cultura.”

Bernardete Gatti citou uma pesquisa, da qual foi uma das autoras, que abordou a atratividade da carreira docente pelos alunos de ensino médio. Segundo a conselheira, os estudantes valorizam seus professores, mas não se enxergam exercendo esse papel. “Quando consideram sua realidade, eles trazem algumas questões. Uma fala de um aluno era: ‘Eu? Ser professor? Entrar numa sala que tem alunos como eu?’”. A conselheira opinou que se trata de uma questão social profunda. “Nós não mudamos cultura com voluntarismos, com marketing. É algo que está mais no fundo. E a nossa cultura escolar é pobre, é recente”, disse.

Para o conselheiro Chico Poli, o país necessita sair da fase de diagnóstico e parar de discutir o que já foi debatido. “Nós não precisamos de mais diagnóstico, já temos suficiente. Precisamos agir”. Segundo Poli, os fatores motivacionais de qualquer profissão não começam pelo salário. São necessários desafios e possibilidades de progresso na carreira, o ambiente de trabalho deve ser agradável e a possibilidade de compatibilização entre a vida pessoal e profissional seria essencial.

Voto de pesar

No início da sessão, o CEE lamentou o falecimento do ex-conselheiro Heraldo Marelim Vianna e propuseram o envio de um voto de pesar para a família. “O Heraldo foi uma das primeiras pessoas que falou em avaliação em São Paulo e provavelmente no Brasil”, afirmou a presidenta Guiomar Namo de Mello.

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  1. mariana permalink
    novembro 14, 2013 3:53 pm

    Rose Neubauer atenta para o fato de que o estudo nao citar outros paises da Am. do Sul, mas sabemos que os paises informados na pesquisa sao avaliados pelo Pisa! Se a SEE aplica tantas avaliacoes externas de variadas finalidades, por que nao um estudo fora da SEE para apurar a opiniao sobre a valorizacao do docente? O Conselho percebeu que agora é hora de pôr como meta a valorizacao do docente? Num prazo de 20 anos? E o que foi feito nesse sentido há 20 atras? Vamos ter mais umas avaliacoes especificas , divagando diagnosticos teorizados e enfadonhos?
    O tempo esta ai, queremos açoes!

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