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Estudante brasileiro pode demorar 62 anos para atingir índice de leitura internacional, analisa conselheiro

dezembro 17, 2013

Por meio de análise dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o conselheiro municipal de educação de São Paulo e professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavarse chegou à conclusão que – a partir das condições de ensino dos últimos doze anos – o aluno brasileiro vai demorar 62, 44 e 19 anos, respectivamente, para atingir em leitura, ciências e matemática, o mesmo nível de proeficiência da média dos outros estudantes que participaram da avaliação.

A exposição do professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP) ocorreu no último dia 12 de dezembro, durante a reunião do Conselho Municipal de Educação de São Paulo (CME-SP).

Coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Pisa é realizado a cada três anos, em mais de 70 línguas, 10 sistemas de escrita e 65 países. No último dia três de dezembro, foram divulgados os resultados do Pisa aplicado em 2012. No Brasil, de acordo com Ocimar, as provas foram feitas por cerca de 20 mil alunos, em mais de 800 escolas.

“No caso do Brasil, o problema é que a média em leitura está muito baixa e esse resultado foi coerente com as avaliações que já temos realizado, como a Prova São Paulo, a Prova Brasil e o Saresp”, afirmou o conselheiro.

Mesmo que a perspectiva seja melhor para aos índices em matemática e ciências – caso mantenha a mesma progressão observada nos últimos 12 anos -, Ocimar observou o perigo das comparações com outros países. “O problema não é se a colocação do Brasil é 58º, mas sim que estamos com a média muito baixa. Um corredor pode chegar em último lugar e ficar somente a 2 segundos do primeiro colocado. E isso não quer dizer que ele corre mal ou que corre pouco”, exemplificou.

Apesar de alertar para os cuidados necessários ao se comparar resultados de países tão distintos como o Brasil e a Finlândia, por exemplo, o professor defendeu que as avaliações internacionais sejam levadas em consideração na elaboração das políticas educacionais do país. “A ideia é que a gente possa estabelecer um cenário e, a partir dele, começar a rever o que foi feito. Não se trata de se fazer competição com qualquer país avaliado pela OCDE”, justificou.

Índice positivo

O conselheiro ponderou que, embora baixos, os índices brasileiros têm melhorado nos últimos anos. “Se é verdade que esse desempenho é muito baixo, nós observamos que a OCDE, por outro lado, tem um número negativo, tendo uma leve tendência de queda em seus resultados desde os anos 2000. Já no caso do Brasil, com coeficiente positivo, há uma leve tendência de melhorar o desempenho”, afirma o professor, ressaltando a importância de se construir uma série histórica para o planejamento educacional.

Segundo Ocimar, no entanto, o Pisa não identifica os motivos que determinam a situação educacional dos países. “A avaliação não responde, por exemplo, porque ciências e matemática estão crescendo mais que leitura, mas há diversas pesquisas que demonstram que estas disciplinas dependem mais da escola do que do nível sócio-econômico dos alunos. Neste caso, o trabalho da escola pesa mais e, no Brasil, as crianças estão ficando mais nas escolas”, disse.

Limitações

A partir das exposições e provocações feitas por Ocimar, o conselheiro Marcos Mendonça observou a necessidade de se estabelecer comparações entre os países no que diz respeito ao investimento na educação, às condições de trabalho e remuneração docente e à organização do sistema de ensino, por exemplo. “Nós temos sim condições de estabelecer políticas públicas que alterem estas condições de maneira efetiva e que tragam medidas mais rápidas”, afirmou.

Já a conselheira Hilda apontou a necessidade de valorizar os profissionais da educação para a melhoria dos indicadores do Pisa. “Não adianta falar que se valoriza o professor se ele tem que dar de 40 a 60 aulas por semana. Se der as condições efetivas para o professor e cobrar o trabalho na mesma proporção em que se oferecer um bom salário, aí as coisas melhoram”, defendeu a supervisora, citando a falta de tempo dos professores para formação continuada e para o planejamento das disciplinas, entre outras coisas.

Reforçando a ideia de criar um cenário para a educação brasileira, Ocimar completou: “é possível que tenhamos uso indevido das informações e o excessivo ranqueamento feito pela imprensa, por exemplo. No entanto, é possível fazer uma leitura por meio de metas claras para construírmos panoramas que orientem as medidas a serem tomadas”.

Leia artigo do professor Ocimar Alavarse sobre o Pisa 2012, publicado no jornal O Estado de SP

Veja a apresentação utilizada por Ocimar na reunião do conselho no dia 12.12.13 (parte do conteúdo está em inglês)

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